Daphne du Maurier - Minha prima Raquel


Uma mulher encantadora, doce, enigmática e... perigosa. Minha Prima Raquel - Daphne Du Maurier

"Há mulheres, Philip, até mesmo mulheres bondosas, que, sem terem qualquer culpa, atraem a desgraça. Transformam em tragédia tudo que tocam". A enigmática frase de Nick Kendall ao afilhado Philip, deixa claro o tom de dúvida e suspense que cerca o romance "Minha Prima Raquel", da inglesa Daphne Du Maurier.

Atenção, futuros leitores: Pode conter spam - não um grande spam, mas alguma coisa que pode ou não influenciar.

Esse trechinho de resenha acima foi tirado do único (ÚNICO!) blog que encontrei na net, falando desse incrivelmente belo romance de Daphne du Maurier!

Nem mesmo no Skoob, nosso companheiro de resenhas, sinopses e divulgação de livros, encontrei um leitor que quisesse falar algo a respeito do livro - um dos melhores romances de amor e mistério que já li dentro da literatura inglesa. Talvez comparável, em sua intensidade e estilo, ao inesquecível "O Morro dos Ventos Uivantes" da minha escritora favorita, Emily Brontë.

Claro está que Daphne du Maurier nem por isso se tornou a mim menos destestável, graças ao infame plágio de "A Sucessora" (da brasileira Carolina Nabuco) e que depois tomou o título de "Rebecca, a Mulher Inesquecível" (ganhador de um Óscar após ter virado filme). Igualzinho ao que aconteceu recentemente com o canadense Yann Martel com o plágio feito contra "Max e os Felinos", de nosso grande escritor Moacyr Scliar.

Mas voltando ao romance da "prima Rachel"... Phillip Ashley é primo bem mais novo de Ambrose, com quem vive em uma mansão pitoresca e mais ou menos rústica, na bela Cornualha. O jovem Phillip é quem narra a história e embora muitos leitores tenham certa resistência a esse tipo de narração, eu achei que caiu perfeitamente bem: Vemos e sentimos tudo sob a ótica do rapaz. Uma ótica masculina que Daphne du Maurier soube encarnar muito bem, diga-se de passagem.

Os dois homens viviam tanquilos em seu belo e simples lar, onde nenhuma mulher tinha vez, sendo Ambrose Ashley um típico inglês solteirão, fleumático e cheio de pequenas manias. Phillip, que não conhecera direito os pais, tinha Ambrose como perfeito modelo paternal e imitava-o em tudo - julgando talvez que o mundo perfeito era o de Ambrose. E o ponto de vista do primo mais velho era lei para ele.

Quando Ambrose viajou para a Itália, para cuidar de sua saúde delicada e respirar ares mais "quentes", lá ficou conhecendo uma prima distante e começou a dar notícias a Philip de tempos em tempos, através de cartas. Este já antevendo, como que através de uma intuição poderosa que seu primo estava se deixando enredar pela tal "prima Raquel", ficou um pouco enciumado. Ambrose era como seu pai e como bom filho, Philip não queria uma madrasta interpondo-se entre eles.

Pintura de Sue Halstenberg 

Com o passar do tempo, as cartas de Ambrose foram rareando, até que nas últimas, algumas palavras misteriosas chamaram sua atenção: "Rachel, o meu tormento..." E nessas cartas, Ambrose demonstrava que sua tão "feliz" relação com a esposa Rachel parecia cada vez mais deteriorada e estranha... Pede que Philip o vá encontrar em Florença.

O romance traz à tona a maestria de du Maurier em criar efeitos de luz e sombra, de alegria e medo, de jardins floridos e ambientes escuros e assustadores. 

A bela Raquel chegará finalmente a conhecer Philip e este a achará, de princípio, uma mulherzinha miúda e sem graça. Depois, com o tempo e a convivência, ela irá mudar... E sua personalidade, ora alegre, simpática, ora triste, ora dura e fechada, se tornará uma verdadeira muralha para Philip, incapaz de decifrá-la. 

O romance tem o dom de nos deixar confusos, da mesma maneira que Philip se sente, porque Raquel é como o mar ou a lua. Ele vai se apaixonar, eles se apaixonarão mutuamente... Porém haverá sempre entre eles a terrível desconfiança, o mistério, a dúvida. Nunca, em momento algum do romance, Philip poderá dizer que conhece a alma daquela mulher estranha, fascinante, sedutora e enigmática.

Há a dúvida... Ambrose, seu fantasma e a dúvida sobre o verdadeiro motivo de sua morte. E há também outras coisas que deixarão o jovem Philip totalmente desequilibrado e capaz das piores loucuras...


O final é muito bom - no sentido literário do termo - porque vai resolver uma questão sem, entretanto, resolver o maior de todos os enigmas da história. Raquel amara Ambrose? Amara (ou amaria) de verdade  Philip? Seria ela uma vítima das circunstâncias ou uma criatura fria, calculista, uma predadora impiedosa? 

Cada leitor tirará, de acordo com suas próprias análises e reflexões, suas próprias conclusões. 

Um bom romance. Uma linda história da qual eu jamais esquecerei. 
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ATUALIZANDO:
Seguindo o comentário da leitora Júlia Araújo, fiquei sabendo do lançamento do filme - que no Brasil, não sei por que raios fazem isso! - será "Eu te matarei, querida"... Um trailer que, ao que tudo indica, mostra um filme que parece incrivelmente bom. Esperamos que sim, porque o livro É inesquecível e a história é comovente.


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7 comentários:

Arismeire Kümmer Silva disse...

Recomendado o filme. Não é excepcional, mas vale como complemento ^^
Bj, Aris.

Amor e Livros disse...

Procurei o filme em tudo que é canto, não acho (na net, quero dizer).

Mas ainda hei de assisti-lo, rs.

Unknown disse...

Olá. O blog do qual vc retirou a citação era meu. Eu amo os livros da Daphne Du Maurier e sinto necessidade de encontrar mais material e pessoas que leram livros dela. Meu perfil no Facebook é Cristina Kendall.

Júlia Araújo disse...

Gente, fiquei apaixonada pelo livro só em ter lido essa resenha!
Procurei instantaneamente resenhas do livro assim que vi o trailer do filme homônimo do livro, que estreará em julho desse ano e vai ter SAM DESTRUIDOR CLAFLIN como Philip. Entre parênteses: Sam nasceu mesmo pra interpretar nas telonas personagens literários.
O livro já está na minha lista de leituras no Skoob!

Jossi disse...

Júlia Araújo, acabei de ver o trailer! Nossa, realmente parece que vai ser um épico, um desses filmaços que vão estraçalhar corações! Gente, que é aquilo do protagonista que fará o papel de Phillip? Se for como o trailer mostra, teremos uma obra fantástica, igual a "O Morro dos Ventos Uivantes" ou "Jane Eyre"!

Só o título que foi mudado, não gostei: "Eu te matarei, querida"! Nada a ver!

Unknown disse...

Alguem por favor pode me explicar se o final é "implicito" e foi deixado ao espectador concluir se o filme teve tal ou tal desfecho? Obrigado

Lukene Ceita disse...

Oi Ja vi o filme. Agora planeio ler o Livro como faço??